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Direito Digital e IA

Comprei um produto de IA com base em uma GARANTIA. A garantia era falsa. E isso importa mais do que parece.

Um relato sobre garantia falsa em produto de IA, confiança do consumidor, verificação e decisões reais baseadas em respostas automatizadas.

28/04/2026 · Pedro H. da Gama
Banner do artigo Comprei um produto de IA com base em uma GARANTIA. A garantia era falsa. E isso importa mais do que parece.

Vou contar essa história completa, com nomes, fatos e sem floreios, porque ela pode evitar que outros cometam o mesmo erro.

Recentemente, assinei o plano pago do Gemini (Google). Dentre vários outros que possuo e alerto aqui também, CORRAM destes HUBs que tem por aí e que nem vou nominar. São "baratinhos" prometem acesso à quase todas as I.A.s do mercado mas, no fundo, no fundo, não são mais do que HUBs operando APIs cheias de gargalos e limitações. Quer I.A de verdade? Vai na fonte ou estude mais.

Mas continuando, não foi uma compra impulsiva. Antes de contratar, fiz exatamente o que qualquer consumidor minimamente atento faria: perguntei.

Perguntei diretamente ao sistema (IA do próprio Google) sobre uma funcionalidade essencial para mim: se os vídeos gerados pelo modelo Veo teriam marca d’água visível. como tem os do Sora 2, por exemplo, que também uso (via VPN)

A resposta foi clara. Direta. Sem margem para dúvida. (Tudo "printado")

Não teria.

Mas quem responde foi além: Disse que a identificação seria apenas invisível (SynthID) e que o material seria adequado para uso profissional, sem interferências visuais. E o afirmou categoricamente com a expressão EU GARANTO!

Essa informação foi uma das determinantes para a minha decisão de compra. A outra eram 5TB de espaço nas nuvens do Google Drive.

Assinei.

Comecei a usar.

E aí… a realidade apareceu:

Os vídeos têm, sim, marca d’água e BEM visível.

Voltei ao sistema. Questionei.

E veio algo raro:

A própria IA reconheceu o erro!

Admitiu, textualmente, A meu pedido, inclusive, fez uma declaração jurídica com TERMO DE RECONHECIMENTO DO ERRO! Disse, sem meias palavras:

que a informação prestada era falsa
que houve falha grave
que houve indução ao erro

Ou seja: não foi interpretação. Não foi ruído. Não foi “má compreensão do usuário”.

Foi informação errada, dada com segurança, em ambiente oficial, antes da contratação.

E por que isso é sério?
Porque não estamos falando de um “errinho técnico”.

Estamos falando de algo muito mais estrutural:

decisão de consumo baseada em informação incorreta fornecida pelo próprio fornecedor.

E tem mais.

Com base nessa confiança, iniciei a migração de aproximadamente 4 TB de dados profissionais para o Google Drive (incluído no pacote).

Resultado prático:

Hoje, não faz sentido cancelar o serviço. A reversão é complexa, até pela quantidade de dados que inseri no drive, seria trabalhosa e onerosa

Cria-se um cenário curioso:

você entra por uma PROMESSA… e depois descobre que sair não é tão simples.

O ponto aqui não é o dinheiro
Não pretendo ajuizar nada. Não pretendo cancelar.

O serviço, em outras frentes, me atende, especialmente o armazenamento.

Mas existe algo que não se recompõe com funcionalidade:

CONFIANÇA!

E essa, ao menos quanto aos serviços do GOOGLE, no meu caso, acabou.

O alerta (principal motivo deste post)
Se você usa ou pretende usar ferramentas de IA:

não trate respostas como garantias técnicas.

Mesmo quando:

parecem seguras
vêm de dentro do próprio produto
são dadas com convicção

Valide! Teste! Desconfie! inclusive do que lhe parecer óbvio.

Porque estamos entrando em uma nova realidade onde:

a interface responde como se soubesse… mas nem sempre sabe.

E pior:

às vezes influencia decisões reais com base nisso.

Conclusão
Continuarei usando o serviço. Mas de uma forma diferente.

Sem confiança NENHUMA!

Apenas com verificação.

E talvez… esse seja o novo padrão inevitável.

Se esse relato evitar que uma única pessoa tome uma decisão baseada em uma “garantia” que não é garantia… já valeu a pena.

Este artigo tem finalidade informativa e não substitui a análise jurídica individual do caso concreto.

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